Terça-feira, 18.06.13

Por que tenho de pagar o swap?

Então o Governo corta nos rendimentos das pessoas e paga os swaps? - Pergunta a esquerda, para caçar votos, pois o tom de facto revolta. Imaginar-se que há pessoas a passar fome e que o Governo está a pagar mil e mil milhões por contratos especulativos é mesmo muito revoltante. Mas também é uma demagogia enorme. Porquê?

 

Estes contratos foram celebrados - criminosamente, na minha opinião - com entidades externas e independentes do país. Logo, não podemos comparar os cortes nos nossos rendimentos. Ou seja, são os portugueses que vão ter de pagar estas coisas e por isso haverá sempre alguém a receber e nós a pagar.

 

Se o país agora dissesse "isto é especulativo, portanto não pago", as entidades financeiras colocavam Portugal numa situação de incumprimento. Ninguém quer isto, imagino eu.

 

Falar-se de dinheiro é mais complicado. Mas podemos comparar com a energia. Portugal compra todos os dias energia. O país gasta muito dinheiro com energia. Podemos deixar de pagar... Num país com pessoas a passar fome não podemos estar com o cu sentado no sofá, às dez da noite, a ver televisão. O sol põe-se e a malta vai para a cama.

 

Este cenário não é possível, naturalmente, pois precisamos de energia. Pois bem, também precisamos de dinheiro e de financiadores. Não podemos por isso cortar contratos que assinámos de livre vontade. Os portugueses, representados por patifes ou incompetentes, assinaram estes contratos. Agora, mandar o contrato para o lixo não é solução, pois cortam-nos a luz. 

 

O que é preciso é saber quem teve responsabilidade na assinatura destes contratos, todos eles, seja qual for a empresa, o partido ou o Governo, e levá-los à Justiça para que sejam pessoalmente responsabilizados por aquilo que, tenha sido ignorância ou incompetência, resultou numa fraude ao país e num total abuso de confiança.

Segunda-feira, 17.06.13

Não há exame, o PC está em campanha

A primeira palavrinha é para os professores que não aderiram à greve. Eles não demonstraram apoio ao Governo, não demonstraram satisfação com a situação profissional ou com a situação da escola pública. Eles demonstraram apenas um enorme respeito pelos alunos nesta altura e pelo ponto alto de um ano do seu trabalho. 

 

Segundo dados oficiais, a maioria dos alunos fez o exame conforme estava planeado e isso é muito bom, mas reconheça-se que a incerteza sobre a sua realização terá naturalmente prejudicado o estudo e a preparação para a prova, o que os coloca naturalmente em desvantagem em relação a todos os estudantes que foram para ela com a certeza da sua realização, nomeadamente os alunos que não puderam fazer hoje e que por isso a farão noutro dia.

 

Os professores têm direito à indignação mas não podiam ter causado esta instabilidade no sistema de ensino. Nem nos alunos ou nas suas famílias, que não sei se os professores grevistas sabem, mas também estão a passar dificuldades e dispensavam bem mais esta confusão nas suas vidas. 

 

Com isto não quero dizer que os professores deviam fazer greve ao sábado, sem prejudicar ninguém. Ou cantar apenas "Grândola vila morena". Não, isso não seria uma greve nem uma manifestação. Não seria nada. Mas há outras formas de luta. Depois da época de exames, os professores, tão indignados que estão, tomassem as escolas de assalto. Ficassem lá barricados, exigindo negociar com o Governo. Teriam provocado muitos mais danos. Teriam tido voz em Portugal, na Europa e no mundo. O Governo era obrigado a negociar uma semana depois de se iniciar o sequestro da escola.

 

Pois, mas isto seria uma revolta a sério e a luta continua mas agora é só com os dirigentes sindicais a falar na televisão, a dar entrevistas e a fazer discursos. Para isso basta uma greve pulhazita, como esta. Pronto, já se deu espectáculo. Agora fica tudo na mesma, mas os vaidosos já tiveram o seu momento.

 

Cheguei até a ouvir o argumento absurdo de que o Ministério da Educação podia muito bem ter mudado os dias dos exames. Esta é muito boa. Quem defende que o boicote aos exames não devia ter sido convocado está a dizer que os professores deviam fazer greve ao sábado para não chatear ninguém, mas depois os outros dizem que o ministério podia ter marcado novas datas. Qual teria sido então o efeito da greve? Se o Governo alterasse as datas todas dos exames, que greve seria esta? Nenhuma. Teria o mesmo resultado de uma greve ao sábado.

 

Para que se saiba, os professores estão a ser prejudicados na medida em que toda a função pública também está a sofrer. Têm, no entanto, uma tabela salarial superior à média da função pública, mesmo para posições equivalentes, e acima da média comunitária. Têm razão, julgo eu, quando dizem que o congelamento das progressões na carreira torna em alguns casos falsa esta tabela salarial. E neste aspecto, confirmando-se esta injustiça, compreendo que lutem. Assim como devem lutar por uma escola pública cada vez melhor, com mais professores - ou pelo menos os mesmos que hoje o país tem - por turma. Mas lutem sem prejudicar os alunos e as famílias. Isto é possível. Basta quererem lutar à séria, em vez de se limitarem a alimentar este espectáculo de sindicatos dominados por forças políticas que só querem tempo de antena.

 

Aliás, a greve de hoje e as dos próximos dias, que vão prejudicar milhares de estudantes e as suas famílias, sem que se vislumbre algum efeito, serviram basicamente para se fazer estas manchetes:

 

«Pais criticam ministro da Educação» - Que pais são estes? A notícia explica: "A Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) lamentou hoje a forma como estão a decorrer os exames nacionais do Ensino Secundário, considerando que o ministro da Educação perdeu "toda a credibilidade".» Afinal, os "pais" são a CNIPE, que desconheço mas quase podia jurar que esta confederação nacional independente já comeu marisco à pala de um sindicato. Ou talvez já tenham ido parar a uma sardinhada da CDU, mas erros desses, como Pedro Lomba sabe e bem, podem acontecer a qualquer um.

 

«PS diz que arrogância política do Governo saiu cara aos alunos» - Este PS também foi alvo de um pré-aviso de greve de professores aos exames, mas na altura nenhum colégio arbitral impediu os serviços mínimos e os exames realizaram-se. Dizer isto agora é de um cinismo que não surpreende ninguém.

 

«Bloco exige demissão de Nuno Crato perante "gigantesca derrota do Governo"» - Até agora, perdoem-me a demagogia, mas só vi uma gigantesca derrota dos alunos. O resto parece-me estar tudo igual. Nomeadamente, o Bloco de Esquerda.


«PCP acusa Governo de não estar preocupado com os alunos» - Ao menos tenham a coragem de dizer que puseram os alunos no meio da luta. Digam que a luta vale a pena e que os alunos têm de se aguentar porque eles precisam de votos como de pão para a boca e que o futuro assoma grandioso e comunista. Sim, porque um aluno não deixa de aprender por causa de uma época de exames mais atribulada. Já o PC pode deixar de ser partido por causa de uma má época de eleições.


Enfim, é para estas parangonas que se fazem estas greves. Não admira que falem em vitória. Estão porreiras, estão. Isto vai dar votos. Pode ser o suficiente para o PS não ter maioria e ser obrigado a falar com eles.

Peixe-caracol? Bem bom

Peixe-caracol é mais uma agradável surpresa. Pessoalmente, acreditava que estes produtos pré-confeccionados e ultracongelados eram feitos com coisas muito piores.

 

Tenho por isso de dar a mão à palmatória e reconhecer que estava errado sempre que disse que as pessoas que compram estas coisas andavam a comer merda. Pelo vistos não é merda. Menos mal.

JCS às 19:09 | link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 14.06.13

25 de Abril sempre, mas só para alguns

Pode odiar-se o Governo, pode até ter-se nojo do Governo, mas a verdade é que este é um dos governos mais legítimos da história da democracia portuguesa. Não por culpa dele, mas por existir, à data das eleições, um memorando de entendimento com as instituições internacionais que obrigava ao cumprimento de uma série de regras. PSD, PS e CDS candidataram-se às eleições dizendo que queriam cumprir o memorando.

 

Ou seja, nunca em nenhumas eleições os portugueses puderam ter tanta certeza sobre o programa de Governo que cada partido iria implementar.

 

Entretanto houve alterações ao acordo. Houve um agravamento de medidas e mais recentemente a extensão dos prazos. Todas as alterações e todas as extensões de prazo nunca serão suficientes para alterar o princípio básico do documento, que se mantém intacto. Sócrates, quando anunciou a assinatura do memorando, afirmou que tinha sido "um bom acordo". Disse, também, que o memorando de entendimento reunia o conjunto de medidas apresentadas no famoso PEC IV. Depois disso, Sócrates anunciou que o memorando não implicava cortes em nada. Parecia até que não havia austeridade pela frente.

 

José Sócrates sabia que estávamos prestes a ir para eleições e que ele, muito provavelmente, não seria reeleito. Alguém teria de implementar as medidas que pudessem corresponder às metas traçadas no memorando de entendimento. Metas essas que eram duríssimas, que eram trágicas para o país, mas que Sócrates disse, ipsis verbis, ser "um bom acordo", pois já calculava que não lhe ia calhar a batata quente e que o mau da fita seriam os próximos.

 

Passos Coelho, em campanha, disse que não cortava no 13.º e 14.º meses. Foi uma mentira. Clara. Podia ter essa intenção, mas sendo apenas uma intenção, não podia anunciar com firmeza. Essa mentira, e outras, porém, não chegam para retirar legitimidade a um Governo ou então não teria havido um único governo legítimo desde o 25 de Abril. Aliás, por essa lógica, a Constituição nem sequer dá legitimidade aos governos. A nenhum.

 

Durão Barroso, por exemplo, anunciou um choque fiscal e um mês depois de chegar ao Governo aumentou o IVA. Sócrates, entre promessas de 150 mil novos empregos, ficou muito longe das suas principais promessas eleitorais, tanto em 2005 como em 2009. Aliás, na segunda eleição de Sócrates, que eu me recorde, Sócrates não prometeu a austeridade que se viria a conhecer nos PEC.

 

Alguém questionou a legitimidade destes governos? Não vi ninguém. Alguém questionou a legitimidade de Sócrates para negociar com Bruxelas os primeiros sinais de austeridade, em forma de Plano de Estabilidade e Crescimento? Alguém questionou a legitimidade de Sócrates até para assinar o memorando de entendimento? Querem lá ver que tanto o memorando como os PEC's correspondiam às suas promessas eleitorais em 2009?

 

Claro que não. Mas a legitimidade de Sócrates nunca se questionou. Nem sequer se falou no assunto, mesmo quando Sócrates estava a negociar com as instituições internacionais uma acordo que ia atirar o país para anos de enorme de austeridade e sobretudo quando se podia imaginar que não seria ele a executá-la.

 

Isso, pelos vistos, era legítimo. Mas isto, agora, não. Não há legitimidade alguma. Estes senhores têm de ir todos para o olho da rua para se dar o poder outra vez de mão beijada ao Partido Socialista, único, até ver, que é sempre legítimo, faça ele o que fizer.

 

Sempre legítimo e muito constitucional, porque o Partido Socialista também respeita a Constituição como mais ninguém neste mundo. Mesmo quando assinou aquele acordo,o tal "bom acordo", que é um enorme pontapé no cu da Constituição. Mas depois os outros é que não a respeitam.

 

Dizia o Sol, em tempos: «O primeiro-ministro José Sócrates anunciou esta noite o aumento do IVA para 23% e um corte de até 10% na despesa total de salários do sector público, entre outras medidas de austeridade aprovadas em Conselho de Ministros extraordinário.»

 

Houve um tempo em que cortes só no sector público não eram inconstitucionais. Houve um tempo em que a austeridade não era de modo algum igual para todos. Mas, repito, nesse tempo era tudo legítimo e constitucional. Agora é que não.

 

A esquerda sempre fez e continua a fazer o que quer deste país. Fazem o que querem e o que lhes apetece sempre protegidos por esta imagem imaculada de grandes e únicos democratas. Combatem os adversários apenas neste plano do jogo dos "direitos" e da "democracia". Balelas para enganar os tolos, que caem que nem uns patinhos nesta conversa.

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Quarta-feira, 12.06.13

E que tal um plebiscito?

Quem manda num país, para mal dos pecados do país, é o povo. O povo é muito mau a mandar no seu país, mas não há ninguém melhor para o fazer. Se não for o povo é um tirano, um extremista, um fundamentalista, um lóbi corrupto, uma máfia, qualquer coisa. Todavia, o facto de todos os outros serem ainda piores, não faz do povo bom a mandar. O ideal era um extraterrestre, igualmente honesto, justo e com jeito para contas que dissesse "deixem comigo" e a malta deixasse e isto fosse tudo uma maravilha. 

 

Mas como ainda não encontrámos este extraterrestre, embora o procuremos constantemente, tem mesmo de ser o povo a mandar. E o povo está muito chateado com o governo e com a política de austeridade. De maneiras que eu, se estivesse no lugar de Passos Coelho, fazia um referendo ao mandato do executivo nas eleições autárquicas. Sem medo nenhum. Um referendo. Sim ou não. E não faria campanha alguma.

 

Um plebiscito assim tinha três vantagens. a) Só tinha o custo de imprimir mais um boletim. b) Retirava das eleições autárquicas o peso da governação, ou seja, não havia o voto de castigo nos partidos que estão no governo, que é claramente uma falha no regime. c) E a maior vantagem: clarificava-se esta paz podre que se vive. Ganhava o "não", com 70%? Ó meus amigos, bom dia e obrigado. Eram logo convocadas eleições. Ganhava o "sim", mesmo que fosse com 51%? Então acabou-se a conversa das eleições antecipadas e cada macaco no seu galho. 

 

Dizem os estudos que são feitos que o governo perderia este referendo. Imagino que sim, mas não estou assim tão seguro da margem. É que a revolta que se manifesta numa resposta a uma entrevista telefónica acalma um pouco quando se pensa um bocado no assunto e não se vislumbra uma alternativa decente.

 

Como já aqui tive oportunidade de referir, a questão não é tanto o governo ser mau. É a oposição ser ainda pior. Neste cenário, estar a provocar eleições é liminarmente estúpido. Adaptando Einstein, podemos dizer que votar na mesma coisa e esperar resultados diferentes é mesmo a puta da loucura.

 

Mas não tenho dúvidas de que, se estivesse no lugar de Passos Coelho, era o que faria. Não imagino o que seja governar com este burburinho. Eu, confesso, não era capaz. E com o plebiscito ficaria sempre de consciência tranquila, pois ouvir o povo é sempre bom, mesmo que seja para ele nos mandar à merda.

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Terça-feira, 11.06.13

E uma greve contra os professores?

Eu já vi este país em crise, já vi este país mais ou menos crise, já vi este país assim-assim, já vi este país em hipotética prosperidade, já vi este país em eventual crescimento, já vi este país de todas as maneiras e feitios, mas não me lembro de um período que fosse em que os professores não estivessem em luta. Creio que a minha memória política se inicia com Ferreira Leite na Educação – eu sei que é mau para a minha memória política, mas é o que se arranja. Esperem, calma. Deus Pinheiro. Ainda me lembro de Deus Pinheiro na Educação. Isto é praticamente século XV. Já os professores andavam na luta e desde então nunca pararam.

 

Houve talvez um estado de graça de António Guterres, que muito inteligentemente falou em paixão pela educação durante a campanha – comprando milhares de votos que o cavaquismo havia posto no mercado – mas até mesmo o engenheiro acabaria por conhecer a ira do docente revoltado.   

 

O caso é tão grave que a Lisnave ao pé da escola pública é o melhor sítio para se trabalhar. A Lisnave ao pé da escola pública é uma empresa calma que nunca teve grandes problemas. Só uma ou outra vigília por uma máquina de café melhor.

 

Enfim, confesso que já nem quero saber o que os professores querem ou deixam de querer. Só sei que boicotar os exames a milhares de estudantes que trabalharam durante um ano e que estão há muitas semanas em preparação para os exames é indecente. É uma pulhice para a qual duvido que os professores tenham justificação, embora, como já disse, também já não me interessa. Não querem avaliação, não querem ser deslocados, não querem ser objecto de uma mobilidade que afecta toda a função pública. Já li uma professora que dizia que por cada hora de aula os professores estavam 3 horas em casa a prepará-la. E depois há aquela coisa do motorista do ministro que ganha mais do que os professores... Com a breca! País de malucos sem respeito pelos outros malucos, sobretudo os mais novos.

 

Depois venham-me falar da indisciplina nas escolas. É natural que os alunos não respeitem estes professores. Um profissional que não respeita o trabalho dos seus alunos não merece ser respeitado, por mais cartilhas que eternizem a figurinha respeitável do senhor professor. A confirmar-se este boicote aos exames, os alunos deviam fazer uma greve geral de um mês no próximo ano lectivo a exigir outros professores. Temos todos o direito à indignação e a lutar pelos nossos interesses, não temos?

 

Só lamento pelos professores que, não obstante o descontentamento com as políticas de ensino e a vontade férrea de as rebater, estão contra este boicote aos exames.

 

Creio que foi um grande erro toda uma classe, sobretudo com a relevância social dos professores, ter depositado a gestão do seu futuro, das suas carreiras e do seu prestígio a uma troika de sindicatos que usam muitas vezes os professores para um combate político que vai muito para além da escola.

Quanto é?

Então e a publicidade internacional da Visa que também está a passar em Portugal, mas que depois, em letras pequeninas, diz que por cá o sistema contacless ainda tem aceitação limitada e que os pagamentos por smartphone ainda nem sequer estão disponíveis!? Isto é como os bares de strip. Podemos ver mas não podemos tocar.

 

Mas também, na verdade, a gente quer é que a Visa se lixe, pois o melhor sistema de pagamento ainda é sacar do maço de notas, cuspir para os dedos e gritar bem alto "quanto é?".

JCS às 17:17 | link do post | comentar | favorito

Recandidatura?

Passos Coelho pode ter nascido para fazer farófias, mas para a política é que não nasceu. Esta de falar em recandidatura numa altura destas, não lembra o diabo. A popularidade nas ruas da amargura, as sondagens a cair e ele vem dizer que é natural recandidatar-se!?

 

Quando o questionaram sobre uma possível recandidatura, só devia ter dito uma coisa. "Eu nem sei se o dr. Mário Soares me deixa terminar o mandato, quanto mais se me vou recandidatar" - e pronto, evitava a pergunta e deixava o Marocas a bater com as portas todas lá na fundação.

JCS às 17:07 | link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 05.06.13

Venha a revolução

Há muitos treinadores de bancada, já sabíamos. Mas também temos imensos revolucionários de cu sentado ao computador. Talvez tenha sido a primavera árabe que levou a crer que as revoluções hoje em dia fazem-se nas redes sociais. Pode ser que sim, mas eu diria que depois de deixar o comentário a desafiar para a revolução é preciso o revolucionário sair de casa e ir partir umas montras. Senão não há revolução para ninguém.

 

Pela minha parte, estou disponível. Acho que o país devia receber a massa da Troika e aguentar-se um bocado à bronca até os ventos mudarem, mas uma revolução também vinha a calhar. Por exemplo, derrubar o Governo e o Presidente da República. Prender todos. Suspender a Constituição. Nacionalizar as empresas e os bancos. Os militares e os trabalhadores tomam o poder. Ocupam Belém. O primeiro governo de salvação nacional é indigitado pelo Presidente da República Carvalho da Silva e é composto por Arménio Carlos, Jerónimo de Sousa, João Semedo e alguns elementos do PS que entretanto tomaram o partido depois de esconderem o Tozé Seguro num esconderijo que Mário Soares tem lá na fundação.

 

Depois as primeiras decisões do Governo, ainda na primeira noite. Quem se erguer contra a revolução deve ser imediatamente detido e julgado sumariamente. Os ordenados, subsídios e pensões são confiscados em 80% e há racionamento. Os balcões dos bancos são encerrados. Eles não queriam, mas como a direita destruiu o país tem de ser. As empresas nacionalizadas são entregues não aos trabalhadores, como seria de esperar, mas aos líderes sindicais de cada uma, que têm o dever de explicar aos trabalhadores que agora trabalhamos todos para o Estado, que nos dá comida e cama, por isso não precisamos de mais nada.

 

Sim, esta ideia da revolução agrada. Desde logo, porque nas revoluções os artistas inspiram-se e compõe-se as mais bonitas canções de intervenção. Sim, vamos lá para a rua acabar com esta ditadura da direita. Nunca experimentámos uma ditadura da esquerda. Disseram-me que é onde se arranja os melhores charutos. Não se arranja mais nada, mas com este tempo vive-se bem com um bom charuto depois de uma bela ração.

Terça-feira, 04.06.13

Seguro, a coligação possível

António José Seguro não devia pedir uma maioria absoluta. Devia implorar. A avaliar pela sua capacidade para reunir apoio e consensos, sem uma maioria absoluta nem chega a passar o Natal em São Bento. É que até Mário Soares, que representa naturalmente a maioria do eleitorado socialista, diz que Seguro sim, mas se fosse em homem era melhor. Também Jerónimo de Sousa, que esteve hoje com o líder socialista, saiu com tanta alegria e esperança como sai das reuniões com Passos Coelho. E o Bloco já não existe, mas se existisse também havia de ter adorado o encontro.

 

Na verdade, António José Seguro só conta com o encolher de ombros dos socialistas e se quer mesmo apoio fora do seu partido, é melhor telefonar ao Pacheco Pereira e pedir para falar com a Manuela Ferreira Leite.

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