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Primeiro foi «razão atendível» em vez de «justa causa» porque é preciso flexibilizar. Depois já «razão atendível» passou a ser quase igual a «justa causa» porque também é preciso dar segurança. Falam agora em remeter a definição do conceito para uma lei específica, como se não fosse sempre necessário definir nos termos da lei as ambiguidades constitucionais.

 

Mas enfim, o PSD faz-me lembrar um leitor do Lóbi do Chá que, certo dia, comentando um espectacular ensaio sobre o ensino, escreveu «ó palhaço, vai ler a Constituição».

 

Aqui o palhaço não precisou de ir ler a Constituição para perceber que o ríspido leitor estava apenas confuso e, de certa forma, perdido. Muitas discussões terminam assim, com acusações de fascismo, nazismo ou convites a ler a Constituição. É raro uma pessoa ter uma Constituição à mão e isso explica o sucesso deste remate.

 

Do mesmo truque usa este PSD confuso e, de certa forma, perdido. Manda-nos ler a lei que vai explicar esta coisa da «razão atendível». Com uma nuance, porém: a lei que explica uma coisa tem de vir depois da coisa sob pena de o mundo estar de pernas para o ar e nós naturalmente extintos.

 

Logo, o PSD convida-nos primeiro a aceitar a «razão atendível» e depois, um dia, convida-nos a ver o que significa. Numa palavra: enigmático.

 

Bom, mas se o problema está na definição do conceito e se, afinal de contas, «razão atendível» nem andará assim tão longe da «justa causa» – palavras do líder – por que raio não propôs o PSD uma redefinição da lei que define «justa causa», em vez desta abrilada?

 

Dúvidas que ficam de uma liderança laranja que levanta muitas.

JCS às 00:29 | link do post | comentar | partilhar