Tuning humanóide

Certo dia do mês transacto, dei comigo mais flexível e vigoroso, à conta de uma simples pulseira. Um amigo, que entretanto já tinha os meridianos todos no sítio, quis mostrar-me alguns exercícios que provam o milagre das pulseiras holográficas.

 

Muito bem. Pouco depois do telefonema já estava ele a puxar-me de um lado e eu a adornar como um barco desgovernado. Isto quando não tinha pulseira, porque quando estava na posse dos hologramas, nem mexia. Rijo como um carvalho. E ele a puxar. E nada.

 

Noutro exercício, com os braços para a frente, um empurrão de baixo para a cima inclina-nos a tal ponto que mais um bocado e chão. Isto sem pulseira, porque com pulseira… firmes e hirtos como barras de ferro.

 

Por último, quase rodopiei ao experimentar girar sobre mim com a ajuda deste boost de flexibilidade que é a pulseira da moda.

 

A minha incredulidade esvanecia então, dando lugar à admiração típica pelo desconhecido, que precisava agora de uma experiência mais consistente para porventura dissipar dúvidas. E assim, deixei os exercícios e passei cerca de vinte horas com a pulseira.

 

Mais equilibradinho? Nem por isso. Ninguém pense que a pulseira endireita de tal forma os meridianos que passamos a subir cinco lanços de escadas como se fossem quatro. Não, não se fica mais forte nem mais flexível. Nos exercícios, sim, admito que sim, mas no dia-a-dia não creio que se sinta o poder da pulseira.

 

Bom, mas há quem diga que ficou sem dor nas costas. E há quem se tenha livrado de um torcicolo. E eu acredito piamente nisto, porque fiz os exercícios e constatei que este objecto não é indiferente. Ganhamos brecagem e estabilidade.

 

Antigamente, no meu bairro, kitavam-se as motas. Agora kitam-se pessoas.

 

(Artigo escrito sem pulseira holográfica, senão tinha mais dois ou três parágrafos.)

JCS às 22:00 | link do post | comentar | partilhar