A estranha unanimidade de Cavaco

«Se nós acreditamos na social-democracia, faz todo o sentido que façamos tudo para que continue em Belém um social-democrata, gostemos muito ou pouco daquilo que faz na lei A, B, C, D, do estilo, se ri muito, se ri pouco, sorri muito, sorri pouco, se é mais simpático ou menos simpático.» - Marcelo Rebelo de Sousa, na Universidade de Verão do PSD, citado pelo Público.

 

Será Portugal o único país democrático no mundo que tem um Presidente da República que ninguém admira, nem os seus próprios correligionários? Há alguém que defenda Cavaco incondicionalmente, sem estes "sim, mas" ou "está bem, porque"?

 

Não há. É impressionante. Se Cavaco for reeleito será contra a vontade de todos os portugueses. Em certa medida, isto é histórico. Nem os reis conseguiram tal façanha.

 

Mas a mim, Marcelo não me convence. O mandato de Cavaco foi, como seria de esperar, muito fraco, porque foi barulhento e extraordinariamente partidário, como também seria de esperar.

 

Cavaco empenhou Belém numa campanha contra a idoneidade do Governo, onde até houve espiões e vulnerabilidades. Essa campanha era liderada oficialmente por Ferreira Leite, então à frente do PSD. Contas feitas, as ajudas de Belém não surtiram o efeito desejado, mas influenciaram naturalmente as eleições, num escândalo que só em Portugal podia passar sem consequências.

 

Pelo seu papel, o Presidente é também responsável pela crise política e pela crise na direita. Não é o único responsável, mas é seguramente o mais influente.

 

E por tudo isto – lamento, Professor Marcelo – mas eu, que me posiciono milimetricamente ao centro e que por isso gosto de direitas fortes e esquerdas solidárias, sou incapaz de votar no Professor Cavaco. A não ser para a Junta, que até precisa de um tesoureiro.

JCS às 00:05 | link do post | comentar | partilhar