Descubra as diferenças

Hoje, é um bocado irrelevante ser-se monárquico ou republicano, porque vai tudo dar ao mesmo. É verdade que um presidente republicano eleito pelo povo dificilmente é fidalgo ou primodalguém, mas já se vão comportando relativamente bem. Os republicanos já limpam a boca ao guardanapo, por exemplo. Já não comem com as mãos. Podem ainda, eventualmente, mastigar de boca aberta, mas calma... Uma coisa de cada vez.
Bom, e como se vê na imagem apensa – por falar em “apensa”, já apareceu o acórdão? – os republicanos recebem em palácios, tal como os reis, mesmo quando os tempos lá fora obrigam a cortar em tudo, rigorosamente em tudo, menos na aparência dos “chefes” do Estado.
É claro que a Presidência da República já deve ter dado nota dos cortes feitos nesta recepção. Talvez nem tenha havido amuse-bouche, tendo o pato descido ao bandulho dos convivas sem o devido forro. Foi tudo a cortar, tudo a cortar. Na volta a presidência até fez dinheiro com isto, porque sobraram barris que dão para a próxima recepção.
Mas o que terá pensado o Grão-Duque do Luxemburgo, na sua passagem por Portugal, ao ver a pobreza na rua a avançar e a realeza no palácio a brindar? Terá pensado: “Estou em casa!” Não no Luxemburgo, bem se entenda, mas entre fidalgos, primosdalguém e os recém-chegados à corte “presidentesdisto”.
Comigo os Grãos-Duques tinham ido jantar ao Ramiro. Isto se quisessem, porque também podiam comer uma bolonhesa no hotel. Nada contra eles, atenção, mas quando a fome aperta e alastra nas ruas, os banquetes devem ser adiados e não há diplomacia nem promessas de cooperação que justifiquem a pompa. Não sei, aliás, como é que um banquete pode cair bem no Chefe de um Estado que todos os dias vê autocarros de pessoas a caminho do desemprego.
E isto não é demagogia! Demagogia é comer lombo e beber Château Lafitte com a desculpa de que se está a cooperar, a negociar ou a sublinhar o contributo da comunidade portuguesa para não sei quê. O povo todos os dias coopera, negoceia e sublinha coisas, mas quando chega a casa só pode meter um pêro no bucho. E mais de metade do dinheiro que faz a trabalhar - a cooperar, a negociar e a sublinhar coisas - vai para ao Estado, que é como quem diz... para o grande banquete.
